CÓPIA LOCAL - US0 PESSOAL
fonte: http://novaescola.abril.com.br/index.htm?ed/170_mar04/html/software
 
Edição Nº 170
Março de 2004
Índice
Sala de aula

Um software que ajuda a radiografar o raciocínio
Programa grátis, que pode ser baixado da internet, ensina o aluno a pensar e serve como uma moderna ferramenta de avaliação

Arthur Guimarães

 

Opapel desta página de revista é feito com fibras de celulose extraídas de pinheiros canadenses. É uma folha importada, que até chegar às suas mãos gerou empregos e movimentou a economia. Agora, ela está servindo de suporte para informações, assim como as escrituras do antigo Egito. Com uma diferença: os povos que habitavam as margens do rio Nilo usavam o papiro.

Se pararmos para pensar, podemos ver que o papel se insere em diferentes épocas e se relaciona com assuntos como celulose, pinheiro, emprego, economia, Canadá, informação, comunicação, Egito, Nilo e papiro. Pois bem: na escola, esse tipo de relação entre conceitos é trabalhado a todo instante.

Mas como saber se os estudantes estão compreendendo os conceitos de modo correto? As formas convencionais de avaliação podem ajudar, mas ainda não permitem analisar, com clareza, o processo de raciocínio. Uma alternativa para esse fim é o programa de informática Cmaptool. Financiado originalmente pela Marinha Americana, ele também foi desenvolvido com objetivos educacionais pela Universidade de West Florida, nos Estados Unidos.

O software trabalha com a montagem do mapa conceitual (veja ilustração), espécie de organograma de idéias com um conjunto de substantivos inter-relacionados. Os grandes conceitos aparecem dentro de caixas — que podem ser linkadas com imagens ou outros mapas — enquanto as relações entre eles são feitas por frases e verbos de ligação.

"Ao construir o mapa, o aluno analisa as relações possíveis entre as idéias que tem sobre um tema", explica Ítalo Dutra, professor do Colégio de Aplicação e Pesquisador do Laboratório de Estudos Cognitivos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele é um dos responsáveis pela estudo do programa no Brasil pela ótica da Espistemologia Genética de Jean Piaget.

Hoje, já existe uma versão do programa em português, que pode ser baixada para o seu computador, sem custos, no endereço http://ead.cap.ufrgs.br/. Lá você encontra também as instruções de uso. Os comandos são bem simples, mas, para rodar o Cmaptool é necessária uma memória de 128 Mb.

Um mapa para responder dúvidas

A montagem do "organograma" acontece em várias etapas. "Na sala de aula, sempre surgem perguntas a respeito de um conteúdo que está sendo trabalhado. O professor discute a questão e sugere que os estudantes pensem em palavras-chave ligadas àquele conceito", explica Dutra. A atividade pode continuar na sala de informática. Um único computador basta, desde que todos possam visualizar a tela. Começam então a ser feitas as relações possíveis para resolver a dúvida, sempre apoiadas em conversas e debates.

"Ao procurar as palavras que ligam um substantivo ao outro, a turma reflete sobre o tema e pode dar diferentes abordagens para um mesmo conteúdo", diz Dutra. E explica que, no caso de perceber falhas, a hora é perfeita para propor atividades que ajudem a classe a entender melhor os temas estudados.

Desde o início do Ensino Fundamental os alunos têm condição de elaborar um mapa conceitual. É necessário, no entanto, ter cuidado para acompanhar o nível de complexidade da rede temática que será criada. "O importante não é propriamente o resultado do mapa, mas o exercício mental feito para construi-lo", explica Dutra.

Pela ótica da Epistemologia Genética de Jean Piaget, "é impossível caracterizar algum conceito sem utilizar os outros, num processo que é também necessariamente circular". Na dinâmica da elaboração de um mapa conceitual, você pode acompanhar o raciocínio feito pelo estudante durante a aprendizagem de qualquer matéria.

Enquanto os alunos ainda estão se familiarizando com a ferramenta, é muito comum ligarem um substantivo ao outro de forma bem simples. Ao tentar desmembrar o conceito "vegetal", por exemplo, provavelmente surgirão somente relações do tipo "vegetal é verde" ou "vegetal cresce no solo". Dutra explica que a fase puramente descritiva é só o começo. A turma deve ser incentivada a aprofundar a análise com perguntas, em conversas e na troca de informações com os colegas. "O objetivo é fazer a garotada explicitar os porquês daquelas relações entre os conceitos."

Dessa forma, por exemplo, poderiam ser construídas com o conceito "vegetal" as seguintes relações: vegetal precisa de luz ou vegetal faz fotossíntese. As duas geram perguntas e atividades práticas que explicam por que a planta precisa de luz — será que toda planta precisa? — ou como ela produz seu alimento. "Pode-se, então, realizar com a classe uma experiência para provar como os vegetais que não recebem luz acabam morrendo", exemplifica.

Nesse momento, o software vai ser útil também para você. É possível usá-lo no planejamento de atividades com a turma ou mesmo para refletir sobre temas de seu interesse.


Quer saber mais?

Laboratório de Estudos em Educação a Distância do Colégio de Aplicação da UFRGS, Av. Bento Gonçalves, 9500, prédio 43815, sala 208A, 91501-970, Porto Alegre, RS, tel. (51) 3316 6951, e-mail: lead@ead.cap.ufrgs.br, site: http://ead.cap.ufrgs.br/

INTERNET
Veja uma lista de publicações sobre o Cmaptool no site da Universidade de West Florida (em inglês): http://cmap.ihmc.us/

EXCLUSIVO ON-LINE
Participe do fórum interativo sobre o tema. O professor Ítalo Dutra, da UFRGS, será o monitor do espaço.

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